Quando sexo demais é doença
Para os dependentes de amor e sexo, o que seria prazeroso se torna uma prisão diante do descontrole de querer sempre mais, a qualquer momento, em qualquer lugar, com qualquer pessoa Texto: Oldair de Oliveira
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Definindo compulsão sexual |
O critério diagnóstico mais aceito é o do psiquiatra americano Aviel Goodman. Para esse especialista, para ser caracterizado o vício, o paciente tem de ter nos últimos 12 meses comportamento sexual excessivo e repetido, que causa sofrimento, sendo que esse sofrimento é expresso por pelo menos três dos seguintes critérios:
1 Tolerância: o indivíduo precisará cada vez mais de sexo para se satisfazer
2 Abstinência: quando não faz sexo passa mal
3 Comportamento sexual fica cada vez mais intenso e ocupa mais tempo na vida do dependente
4 Ritual de busca de sexo, que vai crescendo, levando mais tempo buscando sexo e por mais vezes
5 Tenta controlar o impulso e não consegue
6 O comportamento sexual continua apesar do conhecimento de ter um problema persistente ou recorrente, físico ou psíquico, que pode ter sido causa do agravamento do problema
7 Comportamento começa a atrapalhar trabalho, lazer e vida social
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| Muitos compulsivos gastam horas na Internet navegando em sites com conteúdo pornográfico. Com o tempo, necessidade aumenta. |
Os sinais de compulsão sexual costumam aparecer entre o fim da adolescência e o início da vida adulta. É mais comum em homens que em mulheres, em uma escala de cinco para um. Pesquisas norte-americanas dão conta que entre 3% e 6% da população dos Estados Unidos apresenta algum tipo de compulsão sexual. No Brasil, apesar de não haver pesquisas nesse sentido, trabalha- se com o mesmo cenário.
Com o advento da Internet, os viciados por sexo encontraram uma nova ferramenta que facilita as suas investidas. Na opinião do psiquiatra Marco Scanavino, do Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso (Amiti), do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (IPq-HC), a web facilita o distanciamento afetivo real, assim como encontros diretos sem afetividade. “Com a Internet, o compulsivo tem a possibilidade de interagir com muitas pessoas ao mesmo tempo, aumentando a chance de encontrar uma parceira para sexo virtual ou real”, diz.
Atualmente, o uso exagerado de pornografia pela Internet é a forma mais comum da compulsão por sexo. Não é difícil encontrar pessoas que passam cinco, seis, sete horas por dia em sites consumindo material pornográfico. Essa forma, por exemplo, tem substituído o uso de prostitutas, clássica maneira dos viciados darem vazão aos seus impulsos. Na visão de especialistas, é uma forma mais barata e segura para esse grupo, além de oferecer maior anonimato.
Scanavino faz questão de frisar que apetite sexual elevado é saudável e nada tem a ver com vício por sexo. Segundo ele, o que diferencia uma situação da outra é simplesmente a perda de controle sobre a vida diária. Nas situações doentias, o indivíduo fica escravo do seu pensamento compulsivo, resultando no atraso de diversas áreas de sua vida.
“A vida familiar fica bastante comprometida, podendo chegar à dissolução do casamento. Ou então, é um relacionamento conjugal disfuncional. O sujeito não consegue integrar na vida conjugal amor e sexo. O sexo fica fora do casamento e na vida conjugal é vivido de forma pobre”, afirma o psiquiatra.
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