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Quando sexo demais é doença


Para os dependentes de amor e sexo, o que seria prazeroso se torna uma prisão diante do descontrole de querer sempre mais, a qualquer momento, em qualquer lugar, com qualquer pessoa


Texto: Oldair de Oliveira
Foto: Shutterstock

Fábio (nome fictício) tem 31 anos e há três chegou ao que ele classifica de “fundo do poço”. Foi flagrado fazendo sexo em um local público, dentro de um ônibus. A história seria apenas mais uma se não fosse pelo fato de ele ser um viciado em sexo. O comportamento compulsivo dele já havia se apresentado desde sua iniciação sexual, mas, ao longo de todo esse tempo, manteve uma vida dupla, escondendo sua real personalidade, ciente de que sua forma de agir estava longe de ser convencional. “É uma doença do segredo. A gente esconde isso da sociedade até não ser mais possível”, explica-se.

Segundo ele, que mora em Taubaté (SP), o flagrante lhe rendeu um processo, hoje já resolvido, mas a sua tábua de salvação veio com a aceitação de que precisava de ajuda. E acabou encontrando nas irmandades que trabalham com dependentes e que oferecem terapia de grupo. Primeiro buscou os Alcoólicos Anônimos (AA), e, finalmente, os Dependentes de Amor e Sexo Anônimos. “Faz três anos que estou em recuperação e ainda penso nas atitudes que cometia. Oscilava da euforia à depressão. No ato, a adrenalina era grande. Depois, batia a depressão. ‘O que estou fazendo da minha vida?’, me questionava”, lembra Fábio.

O problema é caracterizado por um impulso descontrolado por sexo. O viciado passa o dia pensando no assunto – e aqui não se trata de uma hipérbole – e vale dar vazão ao desejo com quem quer que seja e de qualquer forma, seja real ou masturbatória.
O resultado é a perda de concentração nos seus afazeres diários, com claros reflexos sobre o ambiente corporativo e familiar. Segundo Diego Henrique Viviani, pesquisador e psicoterapeuta do Instituto Paulista de Sexualidade (Inpasex), os compulsivos recorrem frequentemente à masturbação, chegando muitas vezes a machucar seu próprio órgão. “A atividade sexual dessa pessoa, grande parte das vezes, vem para diminuir um estado de ansiedade. Logo, esse indivíduo começa a perceber que a atividade sexual não é tão prazerosa quanto poderia ser, levando à culpa, à tristeza e ao remorso”, diz.

Hipertexto
Dependentes de Amor e Sexo Anônimos.


Surgiram nos Estados Unidos, em 1935, quando um corretor da bolsa de valores de Nova York e um cirurgião, de Ohio, com problemas de alcoolismo, perceberam que ao trocar experiências sobre os seus problemas conseguiram se abster do álcool.

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